terça-feira, 20 de abril de 2010

Diálogo


Tudo bem, até existe algo em comum;

A vida até que é parecida,

Mas num to aqui pra defendê os comunista,

Menos ainda os capitalista,

Posso até tê umas idéia socialista,

Mas to cansado de discurso, sabe moço?

Ouvi falá até de revolução,

Mas o povo num tem feito nada;

Ai é querê colhe fruto de árvore que num foi plantada.

Já do outro lado a coisa tá difícil, mas tem muita gente que ainda dá risada,

Mas moço, como se ri da própria desgraça?

Isso também num tá certo não!

Eu to no meio de tudo isso, sabe moço?

Tentando fazê minha parte;

Talvez um dia alguém entenda minha arte e meu modo de vivê,

Mas sabe de uma coisa moço?

To preferindo ficá quietinho,

Observando tudinho,

Pra que possa ao invés de falá, fazê,

Pra ao invés de criticá, consegui somá,

Pra num vivê de discurso e me contradizê.

É meu Sr. de suas palavras,

Eu num discordo.

Aquilo que disse;

Muito me importo,

Mas veja

As atitudes?

Tu já tem tomado!

Sua arte e seu modo de vivê, são ações

Que pra você pode até não parecê!

E se alia a esses homi ai, que só qué o podê

É erro grave, e muita gente tem errado.

Erro em segui a idéia dos outros,

e seus interesse já pré-determinado.

E quando o povo fala em revolução meu Sr.

Tu ta certo!

Estão dando murro em ponta de faca.

Então continue observando tudinho, como eu também estou.

Não recrimino as diversas culturas do povo não,

E isso não é me contradizê,

Eu diria que é tenta entendê

o que tão querendo que a gente pense!

E observando o enredo dessa jogada,

To seguindo até discursando e debatendo,

Mas sem esquece de faze, de continua agindo.

Pra somá com aqueles que com esforço na mesma caminhada estão seguindo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

(PROJECIONISMO)

Me ver sentar no fim de uma sala,

no chato de minha ignóbil consciência

na clareza de minha sólida ilusão,

penso eu, e faz logo a diferença

nessa chusma em comunhão.

Fazeis eu, certo?

E nos passos, de individuo errado?

Quanto embaraço!

Monótono meu dia a dia,

Meus problemas,

são meras conseqüências

de atitudes tomadas,

que por vezes cometo em vão.

Sem pensar, ou melhor, escolher e analisar,

Como seria eventual solução?

Idiota eu seria,

se não me alertar-me em socorro,

para minha própria proteção.

Apreciando-me nesse estado depressivo,

me refugiando no inconsciente,

em que busco um grito, surtado

e surdo ao pé de meu ouvido,

escuto sussurros

em emocionantes lamentações!

Vou chorar, mas

Lagrimas não escorrem,

nessa humilhante situação.

Mahatma Gandhi


“A única revolução possível é dentro de nós” Não é possível libertar um povo, sem antes, livrar-se da escravidão de si mesmo. Sem esta, qualquer outra será insignificante, efêmera e ilusória, quando não um retrocesso. Cada pessoa tem sua caminhada própria. Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder. O resultado virá na mesma proporção de seu esforço. Compreenda que, se não veio, cumpre a você (a mim e a todos) modificar suas (nossas) técnicas, visões, verdades, etc. Nossa caminhada somente termina no túmulo. Ou até mesmo além…

Cárcere da alma

O poder da palavra

A ilusão que nos abraça

O reflexo de nosso eu

A verdade que nos regaça

Agravante solidão

nos plurais de qualquer verbo

sou ovelha e sou leão

individuo errado ou certo

Dessa minha língua

Sou errante em gramática

Me dê alguns números

E lhe escrevo um texto em matemática

Sou nada, por um momento

Sou tudo, ao mesmo tempo

Revelando meus intuitos de loucura

Impulsionado em desejos e fissuras

Sou completo e complicado

Posso dizer que nunca conformado

Meu cárcere é meu corpo

Que por dentro revela-se um louco

Em túnel preso a escuridão

Sou refém!

Em meu limite chego além.

E num horizonte enxergo a luz

De um caminho que me conduz

E sutis rimas que me enobrece

Das lágrimas secas

Minha alma faz-se chorar

Lembranças frias e grotescas

Sou poeta e sou louco

E um espírito bem disposto

A caminhar com esse meu carma

Sendo o corpo cárcere de minha alma

Vida louca


A vida é louca

Prendo-me às ilusões,

ficções ou paixões inventadas

Valor espiritual ou valor material

Prazeres momentâneos

e lazeres instantâneos

chapo eu, por ser assim...

pensativo, ansioso,

esperançoso ou sonhador.

Viver cada momento

Um diferente sentimento,

Ódio, amor, raiva,

alegria com dor

eis aqui jogando

uma moeda para o alto

e deixar o tal destino

guiar com desatino minha vida,

louca vida de guerreiro

que aprendeu, nas mãos

de amor verdadeiro

balancear cada sentimento

e separar cada emoção

e no destino que foi lançado

vou viajar, sair desse mundo

quem sabe encontre

e ao voltar, conte pra todos

a emoção do paraíso

o prazer da liberdade, e

mesmo o pesadelo de um inferno

Mas eu volto

E pisando ao chão

Encontro-me longe, distante

De onde eu parei.

E duro é recomeçar do zero

Meu conhecimento e evolução

Pra depois descobri aonde errei...

Consumo daquilo que eu não sei.

Vida louca parceiro!

Vida longa guerreiro!

Av: Curió Diadema

Paradoxo da viagem

Andando de bicicleta, sinto-me livre.

Ainda mais quando estou entorpecido por um verdinho

e algumas cervejas bem geladas,

pra saciar o calor infernal do verão de Sampa.

Encontro-me no mesmo lugar,

onde ainda não sai,

mas há de acontecer!

De ir para bem longe,

no sentido do sem sentido,

no ir e vir, chegar e partir.

Nas pedaladas de bicicleta,

estou sorrindo e cantando

em uma alegria que não tem tamanho

com os braços abertos sem segurar o guidão

como se eu estivesse voando,

descendo uma ladeira qualquer da vila.

São poucos os detalhes,

mesmo porque, me parece tudo abstrato, utópico

sem motivos pra sorrir,

ou o sorriso é na verdade, porque estou aqui

mesmo assim, faz com que eu viaje sem sair do lugar

locomovendo-me pelas duas rodas

a qualquer ambiente que me levar

Alguns quilômetros percorridos,

E cadê qualquer novidade?

Todas as paisagens são as mesmas que sempre vi,

Coisas antigas que ainda não saíram daqui.

Aliás, eu acabo de lembrar

Que também não sai...